Em abrigos, famílias afetadas pela cheia aguardam recuo do Rio Acre para voltar para casa: 'Situação difícil'
Mesmo com Rio Acre abaixo da cota de transbordo, desabrigados aguardam medição segura Famílias que tiveram casas alagadas durante a segunda cheia em menos de...
Mesmo com Rio Acre abaixo da cota de transbordo, desabrigados aguardam medição segura Famílias que tiveram casas alagadas durante a segunda cheia em menos de um mês seguem abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, à espera de condições seguras para retornar para casa. Entre elas estão moradores dos bairros Habitasa e Ayrton Senna, duas das áreas atingidas pela enchente. No abrigo, as famílias recebem alimentação e atendimento básico, mas a rotina é marcada pela espera e pela incerteza do nível do Rio Acre. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O artesão José França, morador do Habitasa, está no abrigo com a família desde o resgate feito pela Defesa Civil Municipal. Ele conta que conseguiu retirar parte dos móveis antes da água subir, mas ainda enfrenta a incerteza do retorno. “A gente ligou para a Defesa Civil, eles foram lá e fizeram a retirada da gente. Estamos aqui com alguns móveis que conseguimos trazer e outros estão guardados. A situação não é fácil”, relatou. José França conseguiu retirar parte dos móveis antes da água subir, mas ainda enfrenta a incerteza do retorno Reprodução/Rede Amazônica Acre Segundo ele, esta é a segunda vez que a família enfrenta uma enchente. José explicou que a realidade financeira é um dos fatores que leva muitas famílias às áreas mais vulneráveis. “A gente mora nesses lugares por causa das condições. São áreas mais baratas e a acabamos passando por isso por não ter outra opção”, pontuou. LEIA MAIS: Enchentes elevam riscos de acidentes e afogamentos: 'Perigoso', alerta mãe de jovem que sumiu no Rio Acre Chuvas em janeiro já superam média do mês e Rio Acre volta a subir em Rio Branco No bairro Ayrton Senna, na Baixada da Sobral, o autônomo Wenderson Teixeira também teve a casa atingida pela água. Ele relata que o nível chegou próximo à altura da cintura dentro da residência e causou prejuízos. “Perdi algumas coisas, meu colchão ficou todo sujo de barro. É uma situação difícil para quem vive assim”, contou. De acordo com a Defesa Civil Municipal, as famílias só devem deixar os abrigos quando o Rio Acre atingir a marca de 10 metros, considerada segura para o retorno às áreas atingidas. Wenderson Silva é morador do bairro Ayrton Sena e está abrigado no Parque Wildy Viana Reprodução/Rede Amazônica Acre Níveis do Rio Na medição das 18h desta segunda-feira (26), o manancial marcou 12,81 metros, e está a 69 centímetros abaixo da cota de alerta, que é de 13,50 metros. O rio vinha em vazante desde sábado (24), quando deixou a cota de transbordo, mas voltou a subir após as chuvas registradas no domingo (25). Somente entre o fim da tarde e a noite de domingo (25), foram registrados 70,8 milímetros de chuva, o que contribuiu para a nova elevação do manancial. Além disso, em janeiro, o volume de chuva acumulado em Rio Branco já chegou a 572,7 milímetros, quase o dobro da média esperada para o mês, que é de 287,5 milímetros, segundo a Defesa Civil Municipal. Esse cenário tem provocado oscilações frequentes no nível do Rio Acre e mantém as equipes em estado de monitoramento nas áreas afetadas, Conforme a Defesa Civil de Rio Branco, foram: 27 bairros foram afetados; 633 famílias atingidas na zona urbana (cerca de 2.286 pessoas); 250 famílias atingidas na zona rural (aproximadamente mil pessoas); 10 famílias seguem abrigadas no Parque de Exposições, totalizando 25 pessoas e 11 animais; 15 comunidades rurais foram impactadas. Além disso, sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho. Já as comunidades da área rural afetadas pela cheia somam 15, principalmente Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre. O órgão reforça que famílias que precisarem de resgate durante o período de cheia devem entrar em contato pelo 193, número do Corpo de Bombeiros. Após o chamado, as equipes fazem a vistoria no local e acionam os procedimentos de retirada, se necessário. Reveja os telejornais do Acre